"A terra girou para nos aproximar. Girou ao redor de si mesma e dentro de nós, até que finalmente nos uniu neste sonho". Frase atribuída a um Poeta Venezuelano. Filme "21 gramas"
Terça-feira, 10 de Abril de 2007
The End

 

encontrar-nos-emos por ai... prometo!

Fraterna abraço, grata.

Mel

 

 



publicado por Mel de Carvalho às 10:15
link do post | comentar | ver comentários (3) | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007
O Sonho de Deméter

 

(foto de Mel)

***

Deméter, era vizinha de António, a dois passos de António, quase que lhe podia sentir o cheiro a lavanda.... Também ela era tímida, reservada, até mais do que isso, aparentemente congelada. Congelada por séculos de espera e de solidão.

Aí, um dia conheceu António. De mansinho, percebeu que não estava mais só. Fora o olhar dele, um olhar queixume, foram os passos baloiçantes, leves, carregados de magia e de voos prometidos, ou apenas o som de batuques ao longe, não sabia!

Sabia apenas, que deste esse dia, se havia, para sempre, consagrado a ele. E, sem que ele soubesse ainda, lhe oferecera o seu olhar em forma de poema e com ele, colocara estrelas no firmamento, guias, por onde um dia, igualmente sem saber, António se haveria de projectar e viajar nas palavras.

Deméter não tentou impedir-lhe o voo!

Adorava vê-lo voar, asas abertas, num voo agitado às vezes, acalmado outras, picado, noutras... Asas abertas, sem destino obrigatório, é certo.

Mas sabia que a todas as Primaveras, António voltaria. Voltaria para sorver o seu olhar maresia, o seu olhar poema. E com ele preencher telas infinitas de um amor maior que o espaço!

Da sua janela, vira António a plantar pimenteiros nos passeios e percebeu. Então queria ele que provasse o picante-escaldante da vida? O picante da Paixão? Pois seria! Antes que a polícia chegasse e arrancasse um a um os pimenteiros, pela calada da noite apanhou as malaguetas coloridas de vermelho, macerou os frutos no mais fino azeite! Com este ópio se unge e se purifica, nas horas em que, sob a lua crescente, na magia das palavras, ambos se encontram e se amam perdidamente.

Deméter conhece-se-lhe todos os trilhos, todos os atalhos e isso faz dela a mais amada das mulheres!

Sim, também ela de amada passou a abandonada. Mas só fisicamente... Vive uma vida nova, sem incertezas. Tem as suas rotinas ... e, uma delas, é todas as manhãs procurar o seu Pólo, um cão que a acompanhou durante anos, fiel, e que a ajudou a manter acesa a esperança de vir a ser, um dia, apenas gente. 

Deméter voa agora, suspensa nas asas do seu Anjo!

Recorda o tempo em que as asas estavam coladas ao corpo, como que incapazes de gerar afagos... Mas António passou por perto e, como que por magia, o corpo estremeceu e o milagre da vida (uma nova Vida) aconteceu. Deméter renasceu em Maio! E percebeu que uma ave a voar parada pode ser uma ave morta e, não quis voltar.

Diz quem viu, que hoje, no Céu estrelado da noite voam dois pares de asas, tão, mas tão fundidas, que não se sabe, onde começam umas e as outras acabam.

Deméter já não tem só sonhos. Vive o sonho!!!!

Sabe que a vida que vive agora, num voo supremo, é bem melhor que sonhar, aprisionada que estava num corpo de vidro fino!



publicado por Mel de Carvalho às 10:11
link do post | comentar | ver comentários (7) | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007
Voar em “V”
Hoje de manhã, quando cheguei ao alpendre de minha casa, uma das "minhas andorinhas" havia regressado. Nem o frio que ainda se faz sentir a fizera disistir. Confesso  que uma redonda, imensa e muito sentida lágrima escorreu pelo meu rosto.
Ela, a minha eterna musa, voltara ...

 
0008r421

 

(foto de Mel)
 

Há muito tempo atrás, não existiam andorinhas na minha vida!... Minto!... Existiam as que, penduradas de asas abertas, contra a parede branca, enfeitavam a casa da minha infância.
No Verão, quando o Sol impunha a limpeza e o aprumo, também elas eram conduzidas a um mergulho reparador, num qualquer alguidar de barro ou celha.
Na minha inocência imaginava o sofrimento a que eram votadas, horas a fio, de molho – barrela como se dizia à época -, a granel com um infindável número de objectos diversos, de decoração: azulejos pintados com dizeres, borboletas de barro, flores de plástico, etc., todas aguardando a vez de serem devolvidas ao seu lugar, não sem antes a parede ter recuperado o alvo da sua dignidade, recoberta com cal a largas pinceladas.
Nessas tardes de estio, introduzia as minhas mãos de menina na água suja, onde estavas mergulhada, tacteava e procurava-te. Procurava-te!
Conhecia-te os contornos, o volume, o tamanho. Distinguia-te, de todos os outros objectos submersos na barrela. Conhecia-te a forma, de tantas horas que te admirara ao de longe, suspensa que estavas sobre a porta principal. Tal como as tuas irmãs, também agora mergulhadas e submersas, tal como elas, tinhas a parte superior negra, negro profundo, reluzente ao Sol, reflexos azuis, uma cauda em “V”, com filamentos fulgurantes. O teu lado negro... O lado branco - o peito, a parte anterior das asas, tal como a barriga, o ventre, as entranhas -, a mim parecia-me sempre levemente rosado. Branco rosado!... Mas o que te tornava única, era sem dúvida a face avermelhada, ruborizada! Em resultado da minha admiração constante, imaginava! E, era essa a magia que nos unia. A tua inocência de andorinha, a minha inocência de menina... A tua beleza, essa, encantava-me, fascinava-me, diria agora, volvidas tantas Primaveras...
Quando estavas suspensa – inacessível aos meus afagos, mirava-te e remirava-te... Desejava que um golpe de vento, uma brisa da tarde, te fizesse tombar no meu regaço. Então colocava-me de bibe azul céu aberto, por debaixo do teu poiso, para que o tombo te não fosse doloroso. Mas não, tu continuavas lá, no teu lugar de sempre, e eu voltava, dia após dia, para te admirar e tu, acho agora, esperavas o fim da tarde para os nossos reencontros.
Falávamos uma linguagem desconhecida dos comuns mortais – a língua das “meniaves” num código só nosso, onde os silêncios e os tempos se mediam para além dos compassos dos relógios – do relógio de cuco -, que lá na sala grande trinava (impondo o meu regresso à família), do relógio do torreão da aldeia, com as suas oito badaladas – a hora do jantar!
Nesses tempo em que a linguagem era “meniave”, imaginava ter-te nas minhas mãos de menina, aconchegar-te no meu calor, no calor do meu peito, como fizera um dia com o estorninho bebé que caíra do ninho...
Mas não! Durante meses a fio, permaneceste sobranceira, colada à parede, indiferente ao chamamento do meu coração...
De repente, ali estavas tu, na celha de lavagem, quase a fundares-te num mar revolto. Não por um golpe de vento, ou uma brisa... pela mão dos homens, pela mão de uma mulher, talvez...
Nessa tarde de estio, finalmente, encontrava-te! Tomava-te nas minhas mãos, afagava-te lentamente, retirava-te o excesso de água, que te havia inundado as entranhas, colocava-te em água limpa, retirava-te os restos de sujidade, com um infinito carinho, um imenso cuidado.... de leve, de mansinho.... sem pressa, como só as crianças sabem tão bem fazer....
Limpa, resplandecias ao Sol! O brilho azul azeviche das tuas asas abertas, ofuscava-o, diminuía-o aos meus olhos, como que me cegavam de tanta beleza.
Paralisavas-me os gestos, fazendo com que tudo o resto, se perdesse para além do agora.
Recordo que nessa tarde, por breves instantes, cerrei os olhos e desejei que me levasses para o teu Mundo, feito de argila e pó....
Cerrei os olhos, não sem antes te aconchegar no calor da minhas mãos, dispostas uma sobre a outra em concha – uma espécie de ninho de amor, branco e imaculado, tal como a parede a que desejavas voltar a ser suspensa, a parede para a qual, a qualquer instante voltarias a voar...
Cerrei os olhos, com força! Cerrei os olhos e os dedos, que aos poucos, se foram entre-juntando, entre-cruzando, numa malha humana, aprisionando a minha andorinha.
Sempre de olhos cerrados, desejei que aquele momento fosse para sempre.... A minha andorinha era, naquele instante, prisioneira do meu ser!
As minhas mãos de menina, haviam apreendido uma força da natureza! Um ser minúsculo, que viajava dias a fio, em busca de um poiso seguro para construir o seu ninho...
Desejei que aquele instante não acabasse, que,  para todo o sempre, no tempo dos tempos, menina e andorinha se fundissem em uníssono, sob o Sol de Verão. Aprisionei-te com tanta força, que as marcas das tuas asas, ficaram marcadas em forma de “V” nas palmas das minhas mãos...
Mas não! …
Não consigo imaginar sequer uma razão e contudo, sob a minha pele quente pelo Sol de Verão, as tuas asas de barro, aos poucos começaram a tomar vida, começaram a debater-se com a energia do amanhecer...
Recordo como o teu peito, contra a palma da minha mão esquerda, arcava, e como o teu bico irrompia pelo orifício formado pelo polegar e indicador... Como do teu bico, mudo até aí, aos ouvidos dos humanos, saiam os primeiros acordes, algo desafinados, algo incongruentes...
Certo, certo é que a minha andorinha, ganhara vida! E a vida é sempre um dom. Eu tinha, com o meu amor, dado vida a uma andorinha, tinha-lhe dado um dom.
Ao de leve, deixei que o seu corpo recém nascido, saísse de mim, das minhas mãos. Ao de leve, muito ao de leve, como uma brisa de fim de tarde, impulsionei-te o voo, não sem antes te falar dos hábitos das andorinhas de verdade a que, a partir de agora, passaras a pertencer.
Falei-te de como as andorinhas vinham do sul, em longos bandos, de como eram “aprendizes até ao último bater do coração”...
Recordo como esta frase teve impacto e de como ficas-te, durante breves instantes suspensa da minha estória...
“Sim, minha andorinha, as tuas irmãs são animais gregários, vivem sempre em comunidade... vais ter que, também, desenvolver capacidades comunitárias... vais ter que percorrer grandes distâncias, sempre em bando, sulcando os céus, sobre os Oceano... numa espécie de trapézio sem rede, sem um bibe azul de menina, para te apoiar ...”
E continuava...“Sim, minha jovem andorinha, as tuas irmãs sulcam os céus, dispostas em “V”! “V” de “vitória”, “V” de “vigília”, “V” de “vigor”... “V” de “vida”...
Aí, acho que aí, pela primeira vez, vi o teu lado negro:
“V” de....”Vingança”!... disseste-me!
De que te querias tu vingar?... Do tempo que havias passado aprisionada à parede branca, por um prego de metal? De tanto tempo aprisionada num corpo de barro? O meu amor libertador não era suficiente para te ajudar?
“V” de vingança!!” - repetias!
“Não, minha jovem andorinha, essa é uma palavra que não existe no vocabulário das andorinha....” “V” de “ver”... Ver mais longe, ver para além de ver, “V” de “vigor”...
“V” de “vício”, insistias! “V” de “vergonha”...vergonha por viver num Mundo de faz de conta, viver uma vida que se não desejou, um abandono que nos conduz ao “V” de “valeta”, ao “V” de “Vale ou vale...quase tudo” ...
Numa vida onde só existem “vencidos”, poucos são os que desenvolvem voos de “vencedores”... onde a palavra “verdade” só raras vezes tem “valor”...”V” de “vaidades”, vaidades que comandam vidas, “V” de “vexame” a que somos todos os dias submetidos .... “V” de “vicio”, insistias... ““V” de vingança!!”
Sentia as tuas asas a debaterem-se, a agitarem-se, numa rebeldia inconsolada, inconformada.... dorida....
“Não, mil vezes não, as andorinhas da nossa estória - as de que te quero falar - não conhecem vícios; as andorinhas de que te quero falar, desenvolvem o seu voo em vê, em sinal de “virtude” – virtude de dar e receber, virtude de partilhar, amparar, ajudar!...
Sempre, baixinho, insistia:
“Sim, porque as andorinhas, são seres gregários, que vivem predispostas a partilhar, a viver juntas, a gerar família, a amparar a família, a amparar-se na família... Uma andorinha, pode até morrer de solidão, não resistir à solidão de um ninho vazio e frio... A solidão, ou a prisão, têm o poder de matar!
Na verdade, estas criaturas, não sobrevivem sós ou prisioneiras: de si mesmas ou dos outros. Quando tal acontece, em cativeiro, creio que encetam longos voos dentro de si mesmas, mascarados de silêncios finos. Ausentam-se de si e do Mundo, do Mundo que as aprisionou... Entendes de que falo, minha jovem andorinha?
Quando estavas suspensa na minha porta, presa por um prego, que te atravessava as entranhas, confesso agora, ter visto, não raras vezes o teu dorso manchado de lágrimas que tombavam dos teus olhos escuros...
Eram saudades, imaginava! De África! Do colo que todas as andorinhas buscam e necessitam... por isso desejava que tombasses sobre o meu bibe azul, para te poder dar um pouco do meu colo de menina...”
No dia em que impulsionei o teu voo, senti que te estava a perder para sempre! Tive medo de que, à distância de um Oceano, não me lembrasses mais. E, contudo, corri o risco! Correria o risco de novo, uma e outra vez...”
Durante os meses que se seguiram, ao dia em que deste o teu primeiro voo, ensaiavas, voando cada vez para mais longe, durante horas a fio, a tua grande viagem, a que te levaria, para longe de mim pela primeira vez.
Durante esses voos de treino, que eu observava da minha varanda virada a sul – o sul que tu buscarias no final do Verão -, caçavas em voo, alimentavas-te nos céus e, só voltavas no fim do dia, aquele que fora durante tanto tempo o “teu pequeno Mundo”.
Aos poucos, o frio foi-se aproximando, os dias foram-se tornado mais pequenos, a bola de fogo, caia cada dia mais cedo no horizonte... Tudo em meu redor se preparava para a nossa despedida!
Nessas tardes, vinhas poisar ao de leve, muito ao de leve, no beiral da minha vida. Juntos, traçámos planos para o teu futuro, juntos contemplámos o Sol poente... uma e outra vez, ora em longos silêncios, ora a espaços, no dialecto meniave...
Sei que recordarás para sempre as nossas conversas na língua meniave.... E que, um dia, em jeito de estória, aos filhos que a vida te reservar falarás do dia libertador... E talvez lhe mostres um pequeno tesouro – um fio de ouro que levaste dos meus cabelos...
Nas vésperas do dia em que haverias de partir, falei-te uma vez mais, da importância de voar em grupo, em bando. Poisada no meu ombro direito, bem perto do coração, ouvias o meu discurso embalada na sua musicalidade...
“... O bater das asas de uma andorinha, ajuda a outra que se lhe segue, e assim sucessivamente... A primeira rasga caminho, fazendo com que, a corrente de ar ascendente impelia as restantes a prosseguir – dizia-te de mansinho... Mas o mais importante, minha jovem andorinha, é a certeza de que, uma vez cansada - porque a distância entre Continentes é imensa -, poderás sempre contar com uma segunda para te substituir no comando do voo, e que a segunda contará com uma terceira, e assim por diante, numa cadeia de solidariedades...
Na verdade, minha jovem andorinha, esta é a regra de sucesso no reino das andorinhas, no rumo das andorinhas! A certeza de que não estão/estamos sós, o sentimento de que, atrás de nós, um bando inteiro nos impulsiona o voo, apoia o rumo que conferiremos à nossa vida!...”
Ouviste a minha estória, muito quieta, imóvel, muda.... Viajaste dentro de ti, como quando estavas prisioneira... E tiveste medo!...
Aninhaste-te de encontro ao meu colo, afaguei-te o corpo, recompus-te as penas em sobressalto...
Olhaste-me profundamente, bem no fundo dos meus olhos – verdes, azuis, cinzentos: Verdes-água, azuis-céu, cinzentos de fim de tarde. Verdes mar – o mar que nos afastaria para sempre, o céu que haverias de sulcar o cinzento que deixarias na minha vida...
Sei que, naquele instante,  duvidaste de tudo o que te dizia. Como poderia uma menina de cabelos de oiro, saber das vidas das andorinhas, dos sonhos das andorinhas, das expectativas das andorinhas?
Duvidaste! Sei que duvidaste.... A tua asa afagou-me ao de leve os cabelos, o teu bico debicou-me o pescoço, na base da minha nuca.... Os cabelos de oiro, sob o sol da tarde eram agora prata... O teu bico aprisionou um fio e partiste...
Juntaste-te com mais de cem andorinhas, nos fios de telefone nesse fim de dia e, de manhã, com o raiar da aurora, partiste! Partiram todas, juntas..
Partiram em vê...
Tu a comandar o voo, a comandar o vê... como tanto desejavas!...
Acompanhei-te até onde os meus olhos conseguiram alcançar. Depois, de mansinho, chorei a tua partida, num choro invisível aos olhos dos comuns mortais. Chorei e rezei por ti, noites a fio, quando a bola de fogo entrava pelo mar dentro e tudo ficava bruma, silêncio e nada mais!
Recebi notícias tuas, no outro dia, por outro pássaro migrante!

Em África, quando construíste o teu ninho, de barro vermelho, a cor da tua terra, amassado com o calcorrear dos pés da tuas gentes, no fazer constante de caminhos, caminhando, desse barro, terra/suor/dor – fizeste o teu ninho: um ninho de amor. Nele entrelaçaste, para sempre, um fio de ouro/prata...

Confidenciou-me, esse pássaro migrante que reluz ao sol dos trópicos, distingue-se de todos os demais... De todos, o mais lindo, o mais perfeito, que tem até alguma inveja, de não ter um ninho assim...

Como que por magia, o fio de prata atravessa oceanos. Em cada Primavera que nasce, eis que de novo, na ponta do teu bico, sulca os céus e une Continentes, ligando o teu ninho a um novo ninho onde geras família, e tudo começa de novo.

E assim, ano a após ano, século após século, se repete a lição das andorinhas, que se baloiçam num trapézio sem rede – numa rede invisível de mil fios de prata e ouro, prata e preto, preto e prata.
As andorinhas afinal tinham um lado branco!...


Abri os olhos. Senti o corpo da andorinha de barro nas minhas mãos... De asas abertas em sinal de "V"!
                      Fora um sonho, um sonho de libertação de uma andorinha em cativeiro!

Lx: 2004


tags:

publicado por Mel de Carvalho às 13:34
link do post | comentar | ver comentários (5) | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007
Talvez eu não queira mais ser
(fotos de Mel)
Talvez eu não queira mais ser
Nem vento
Nem brisa
Nem água
Talvez eu não queira mais ser
Fogo
incandescente. Torrente.
Oceânicas lavas.
Cansa-me acordar adormecida
dentro do ventre húmido das palavras
salivadas no fel de dores e mágoas.
Cansa-me erguer um corpo - 
pesa permanentemente
mil toneladas.
Talvez eu não queira mais ser
(des)ordenada onda, espuma, vaga ...
Baia... bonança,
ancoradouro ou cais.
Cansas-me tu, existência.
Cansa-me a embriagues
do Sonho.
(Já não sonho mais, já não sou Fada!).
Cansam-me 
os odores das rosas repisadas...
Cansa-me o sal do mar,
e o o ardor da pele encortiçada.
Cansa-me olhar os veios esfumados
das tuas asas para além do horizonte!
Cansa-me o tudo e o nada.
Andorinha ...
Estou cansada!
 

tags:

publicado por Mel de Carvalho às 09:10
link do post | comentar | ver comentários (7) | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 27 de Janeiro de 2007
Quando passar a chuva...

Quando passar a chuva

deixarei que a Terra ressequida

se rejuvenesça.  

Que da terra sulcada floresçam

metáforas doces de palavras, lavadas ... abençoadas.

 

 (foto de Mel)

Quando passar a chuva,

bordarei num lençol de linho

o traço de um mágico e silenciado carinho...

E to darei, no beijo-desejo de água salgada.

 

Que a chuva passada lavará o escuro de uma cirandeira estrada ...

Esta estrada!

Que se perde desgovernada em cada boreal madrugada...

 

Quando passar a chuva...

***

 

After the Rain After the Rain.mp3

Hosted by eSnips

sinto-me: Quando passar a chuva ...
música: Album Colors of the Rainforest - After the Rain
tags:

publicado por Mel de Carvalho às 23:17
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007
Jamais...
Não ... não digas "Jamais",
que Jamais é muito tempo,
é tempo de mais ...
Jamais é para além do Tempo!
E o que nos une é Supremo,
é Infinito ...
Hoje, cansada, solto o grito:
- Não, não digas nunca ...
JAMAIS!...
(foto de Mel)

tags:

publicado por Mel de Carvalho às 15:08
link do post | comentar | ver comentários (9) | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007
Abre-te madrugada

(foto de Mel)
***
Abre-te madrugada d’andorinha
dos meus sonhos singelos de menina
e deixa que desabe, o roxo rosto aflito,
em ti, áurea auréola de Plano Universal e Infinito.
  
Abre-te a mim, sacralizada!
Abre-te a esta tua serva, Alma da floresta,
Nómada. Acolhe no teu colo, o meu corpo,
aspira o meu perfume de goivos e alecrim,
e deixa que ensandeça no teu ventre enebriante,
de musa eternamente sibilante. Vozes de brisa...
Que o meu corpo te penetre em alvorada,
tal a falésia erguida,
perfurante contra o índigo Céu, reconhecida.
 
Deixa que a tua mão aberta,
construa, pedra a pedra, de mim, esmaecida,
uma brotante, fervilhante, Fonte de Vida.
Abre-te a mim, madrugada bernarda,
sem medo. Que te contarei um segredo ...
Tenho dentro da algibeira, bem lá no fundo,
uma brisa de Mar,
um pássaro a chilrear,
um verde prado... uma Mágica Floresta,
onde o Deus Pã vagueia em noites de lua cheia,
apascentando ovelhas, a som de flautas de cana ...
 
E Chiron, me busca e me torna Fada,
sábia e bondosa (e me matiza com todas as cores da Rosa ...
Rosa do nada...) quando voluteio em permanente dança
de círculos, de cogumelos ... Verdes e amarelos ...
Tenho, muito bem guardado
um sonho alado ...
Em que Dioniso projecta frutos em cada letra dos seculares alfabetos,
no renascimento de um tempo de Inverno, hibernado,
ressuscitado a cada nova Primavera.
 
(E todos te quero dar ...)
 
Abre-te madrugada andorinha,
dos Sonhos de uma menina,
e deixa que desabe, o meu roxo rosto aflito,
em ti, Plano Infinito, Universal.
 ***
A todos os que visitam a "Terra das Fadas", as "Fadas" deste Reino, desejam um excelente 2007, de muita Paz e Serenidade.
Meldemim, Karmel, Lia ....

tags:

publicado por Mel de Carvalho às 11:57
link do post | comentar | ver comentários (6) | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006
Deixa que aconteça
(foto de Mel)
***
Deixa que aconteça
que a boca desça
serenada na maciez do beijo
tal insecto alado sobre a margarida.
Em oferta!
Deixa que as tuas e as minhas asas, soltas,
deslizem
livres, de mãos abertas - despertas -,
como esta secreta aragem que te afaga.
E que as nossas asas, doridas, se entrelacem
num enlace de segredos e no encanto do toque e foge dos dedos.
Deixa que se solte
do centro da Madre Terra
a fonte do desejo
sobre o começo do veio-nascente da água.
Deixa
que expludam dentro de nós  mesmos
as promessas (in)contidas;
Desemboquem rios
dos canais confessos
dos recantos secretos dos teus e dos meus olhos
e logo, logo, desagúem e sejam pacíficos, apaziguados, Mares.
Oceanos!
Sejam lagos doces e planos...
onde coloquemos a velejar todos
os nossos sonhos clandestinos de aves, de meninos ...
Mar
(que sempre me dizes-te que de topázio era o meu olhar)
e que desde os primórdio de um tempo sem tempo,
desde o começo, andorinha, me consagrei  a ti
e tos ofereci...
Cega serei (que importa?) por tanto te amar...
Andorinha
Por favor, deixa que aconteça
que desde modo
contido
magoado e dorido,
sem brilhos, os meus olhos,
são apenas, neste Planeta de alagado chão -
tapete vereda de águas, promessas afogadas,
e nele tantas dores e mágoas -,
um lago de tristeza e dor.
Um cofre de ilusões e de intenções algemadas.
Que assim,
na ventania
na tona, na loucura desmedida,
esta andorinha, de Fada Meldemim vestida,
está nas rotas incertas do céu perdida,
tal folha, fina, redemoinhada no canal de uma imensa tempestade.
Tanta verdade,
encerra o branco de um peito de andorinha...
É promessa de chegar!
E no negro do seu dorso, está afundado o manto deste desgosto!
De te ver partir e não voltar!
Andorinha
Se me levaste a Alma
que mais da Vida posso eu esperar?
*********
A todos os que que leêm, o meu imenso obrigada. Votos de um excelente 2007!
Mel, a "Fada" dos Sonhos ou a Meldemim, ou a Karmel ou ....
 


publicado por Mel de Carvalho às 17:59
link do post | comentar | ver comentários (5) | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006
Natal das Andorinhas

 

 

(foto de Mel)

Hoje, minha doce Andorinha, escrevo para ti. Neste Natal em que a minha árvore esteve permanentemente às escuras, por tantas e tantas razões, foram apenas as linhas das tuas asas, esbatidas num céu taciturno, que por breves instantes me fizeram acreditar na Magia do Amor!

Sim, minha andorinha, tens toda a razão: O Amor não é Geógrafo, nem sequer Jurista. Ele não conhece as fronteiras espaciais ou administrativas criadas pelos humanos. O Amor é Magia, é utopia. O Amor basta-se a si próprio e alimenta-se de si mesmo. O Amor é Sonho. É estar presente estando ausente, é amar para além do racional. É amar no amor e pelo amor.

As linhas das asas de uma andorinha deixam sempre dois traços paralelos nos céus que sulcam, sobre a imensidade dos Oceanos ...

As tuas asas, minha andorinha, sulcam o imenso Oceano das minhas lágrimas e nelas se encontram e se apaziguam. Em certos momentos, as tuas asas são velas e, acredites ou não, é o meu sonho que as impulsiona e faz delas velas latinas, consagrando-lhes a capacidade de navegar à bulina e dobrar o Cabo das Tormendas. É no verde do meu mar que tu navegas, andorinha, e eu sonho na noite das tuas penas e nelas me perco e (re)encontro.

Somos, alternadamente, as duas faces de uma andorinha.  Alternadamente ...E como elas , voamos, na singularidade de um voar em V!

Lembraste-me, minha querida andorinha, do conto "Voar em V"?. Sim, sei que te lembras! ...

O encanto do voo das andorinhas reside no facto de que estas se alternam sucessivamente no vértice do V. Ora uma comanda o voo, ora outra, quando a que comandava se sente cansada ... Agora, minha querida é o tempo de seres tu a comandar o voo, que a Fada Meldemim, está verdadeiramente cansada e sem forças para voar ...

É a tua vez, andorinha, de tomares o leme deste barco e o fazeres navegar ...

Acreditar... na Serenidade, na Sapiência ...

Sabes, minha andorinha, eu acredito sim! Acredito no poder do Amor, como bálsamo intemporal para todas as feridas. Como terapêutica  para as dores da Alma. Como sedativo para todas as fúrias extemporâneas.

E porque acredito, sem bússola, sem sextante, sem cartas de marear, sem conhecer as rotas dos céus, sem sequer ser Geógrafa ou Jurista, sigo apenas as linhas que tu traças no céu e deixo que sejam elas as minhas guias. Não conheço os limites do sonho, nem sei ou quero saber das leis que regem as lógicas ... Há muito que navego no reino da Fada Meldemim - a Fada dos Sonhos e, minha querida Andorinha, como tantas e tantas vezes  já disse, tu és o meu Sonho ... por ti sulcarei todos os Oceanos, enfrentarei todas as correntes.

Porque o importante é ter a meu favor "todo o tempo do Mundo". E isso, minha querida andorinha, tenho com toda a certeza ... 

Esta é uma viagem interminável ... 



publicado por Mel de Carvalho às 22:02
link do post | comentar | ver comentários (5) | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006
Chegaste a mim, assim…
00079k6h
(foto de Mel)
***
Chegaste a mim, assim…
De asas caídas, magoadas …
De mãos vazias!
Que nada pedias ...
E nas minhas, te aninhei, te acolhi.
Chegaste a mim
num esvoaçar inadiável, urgente
de asa de andorinha… ferida. Tão sofrida …
Sorriste! Menina, desprotegida,
te amei para sempre …
E por ti, alada ... sou agora a  Fada,
Meldemim!
Em troca das tuas penas
te ofereci a minha própria Vida…
Sabes, Andorinha, agora que partiste,
que te fizeste estrada do céu
posso até contar-te: a Fada  estava em vigília,
permanentemente acordada,
para te proteger,
para te ver crescer… para te ver voar.
Para te amar …
E te cuidar!
Sem te tocar, sem te prender as asas! 
Apenas amar!
E, permanentemente,
te afagar … num concitar do olhar!
(Que desde esse segundo, a menina
não dormia mais sequer… atenta, vigilante …)!
Andorinha …
Era como se o teu voo errante
despertasse a essência transbordante
dos pomos frutos
em aromas vestidos de palavras
- veias d' Alma em que viajavas -
roteiros - códigos secretos de afectos!
Eras o sonho, a esperança …
Uma andorinha em forma de criança …
Para te escutar, calaram-se todos os regatos!
Para te amar, na plenitude de quem se dá ao amor,
Me esqueci de mim.
Esqueci toda e qualquer dor …
Sussurraste-me a Alma, entre as dobras da noite
e no alvorecer de plissadas madrugadas.
Eras o prenúncio de um devir!
Um dia a nascer…
A flor a abrir …
Tinhas a luz de todos os céus e o meu Mundo
adormeceu … para olhar apenas e só o teu!
Prometeu, Deus de um tempo, sorriu …
 
Anunciaste-te na magnitude
de um andar de lã… a calma dos teus passos.
E eles ondulavam em mim. Eram searas, verdes pastos …
Desembarcas-te por entre a levedura tenra das horas
e, porque abalaste e te demoras…
(sim, sei que também choras …)
na inanidade dos afectos, apenas,
noite a dentro,
no desalento de quem tudo quer e não dá nada,
me sussurras a Alma, ao de leve,
no voo errático das tuas penas,
sorvendo do meu rosto, as lágrimas,  
bago a bago, na cor purpúra do fogo,
bagos de romã …
na espera de um amanhã…
Chegaste na Primavera…
Partiste antes que o Outono chegasse…
Nada levaste…
Apenas a minha Alma para sempre!
 
Andorinha…
Diz-me: Voar … valerá a pena?
Serena! Serena …
 
 ***
 

 (foto de Mel)
 
 
A todos os que me têm acompanhado neste espaço e na Vida, o meu abraço fraterno e o meu muito obrigada.
Um Natal cheio de Paz!
***
Mel ou Meldemim, Feiticeira, ou Karmel ou ...
(sempre a Fada dos Sonhos)

(Caso queira ver este Clip, por favor pare a música do Blog, à sua esquerda, no fim da coluna)

(Return to innocence)



publicado por Mel de Carvalho às 15:42
link do post | comentar | ver comentários (8) | adicionar aos favoritos
|

mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
Abril 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


posts recentes

The End

O Sonho de Deméter

Voar em “V”

Talvez eu não queira mais...

Quando passar a chuva...

Jamais...

Abre-te madrugada

Deixa que aconteça

Natal das Andorinhas

Chegaste a mim, assim…

arquivos

Abril 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

tags

todas as tags

as minhas fotos
Visitas 2007 (contador antigo)
Free Hit Counters
Cell Phone Reviews
A música que toca

La Valse d'Amelie (Orchestra Version)
Amelie Soundtrack

Música Original deste Blog

You Are My Miracle
Vittorio Grigolo

Visitas 2007
póquer
casino online
subscrever feeds

RSSPosts

RSSComentários